Etapas

Serão cerca de 10 etapas, aqui está uma lista possível:
Etapa 1: Saint-Jean-Pied-de-Port - Cizur Menor (80,0 km)
Etapa 2: Cizur Menor - Logroño (88,5 km)
Etapa 3: Logroño - Belorado (69,8 km)
Etapa 4: Belorado - Castrojeriz (86,2 km)
Etapa 5: Castrojeriz - Sahagún (88,4 km)
Etapa 6: Sahagún - León (72,5 km)
Etapa 7: León - Rabanal del Camino (68,1 km)
Etapa 8: Rabanal del Camino - Pedrafita do Cebreiro (82,9 km)
Etapa 9: Pedrafita do Cebreiro - Portomarín (70,2 km)
Etapa 10: Portomarín - Santiago de Compostela (91,8 km)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Dia 5 - Fromista

Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 93,6 km

Tempo: 14:29:22

Velocidade média: 6 km/h


Estamos a meio caminho. Cada dia é uma aventura. Percorremos cerca de 150 km com um raio partido. Hoje conseguimos finalmente encontrar (depois de 150 km's) uma oficina de bicicletas em Carrión de los Condes.

Bicicleta reparada e podemos continuar. Uma sugestão que contraria um comentário anterior. Quem quiser fazer o caminho (e não por estrada) têm de trazer uma boa bicicleta de todo o terreno. O tipo de piso nas primeiras etapas com todas as pedras não permite que nenhuma bicicleta de ciclo-turismo possa passar por ali sem ter qualquer tipo de problema técnico. Assim como os componentes, são essenciais que sejam de grande qualidade e que possam ser substuídos. Algumas peças de substituição são aconselhadas. O esforço físico é muito intenso, especialemente porque são muitas horas a andar, isto claro para quem pretende fazer o caminho em 10 dias. Penso que o aconselhável será fazer em mais dias.

Estamos em Mansilla de las Mulas. Falta mais uma etapa antes das montanhas. Amanhã será dia de irmos devagar para que possamos recuperar.

Obrigado por todos os comentários, é um ânimo que temos em continuar. Não deixa de ser curioso que a palavra que mais se escreve em todo o caminho é precisamente 'Animo'. Serve para quem pretende desistir que possa seguir. Desistir não faz parte da nossa vontade, apesar do corpo por vezes ceder ao extremo cansaço a que está a ser sujeito.

O nosso objectivo, chegar a Santiago.

A nossa obrigação. Viver cada dia como se fosse único.

Dia 4 - Belorado

Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 112 km

Tempo: 11:33:36

Velocidade média: 10 km/h

O dia hoje começou muito bem. O tempo estava óptimo, as nuvens mantinham o fresco da manhã e o vento soprava baixinho. Apesar de tudo, esta etapa foi muito dura, foram cerca de quase 120 km em grande andamento. Passamos a maior parte do tempo em caminhos indetermináveis onde a nossa vista apenas alcançava a linha do horizonte.

Tivemos uma subida inicial muito intensa que se transformou depressa em planície. Por muitos e muitos km's. Chega a ser estenuante percorrer esta parte do caminho em bicicleta, quanto mais a pé. Não imaginamos o que pode ocorrer na mente dos peregrinos que vão a pé. Passámos por centenas deles que percorrer centenas de km's onde apenas a monotia do horizonte é contrastada com o estado tempo. Paciência. É a palavra que mais procuramos e é a que menos temos à mão. Porque essa se perde rapidamente.
Por fim chegamos a Burgos. A catedral de Burgos é um dos expoentes máximos do Gótico. É muito imponente. E pensar que há milhares de anos os peregrinos passavam por aqui. E pensar que toda esta catedral foi construída com pedra.

Depois de muito andarmos chegamos a Fromista, uma pequena localidade. Ficamos num albergue simpático e a chuva prometia.

Deixo-vos uma pequena nota daquilo que podemos aprender neste caminho. Aprendemos que por muito que possamos andar depressa, haverá sempre alguém que anda mais devagar que nós e alguém que anda mais depressa que nós. No fim, fica apenas a experiência do que cada um pode tirar. E estas são sempre diferentes dependendo do ponto de vista de quem as têm. Por mim, sinto que 10 dias é infinitivamente pouco para se fazer de bicicleta. É uma imposição que nos obriga a rolar e com isso perdemos algo, mas não temos aqui opção. Vemos muitos peregrinos que debaixo de uma árvore lêem algumas páginas de algum livro sobre a história deste caminho e fico por vezes a pensar, o que poderá estar ele a ler, sairá certamente mais rico em termos culturais, mas tempo é a medida de cada um de nós na história que nos acontece. A nossa apenas permite 10 dias para este caminho, e serão esses que iremos disfrutar... ao máximo que conseguirmos.

sábado, 13 de junho de 2009

Dia 3 - Logroño

Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 70,2 km

Tempo: 15:11:28

Velocidade média: 5 km/h


Hoje o dia foi de mais e mais calor. Foram litros e litros de água que se beberam. Apesar de tudo, a parte da manhã foi de grande velocidade por trilhos grandes e longas descidas que fizeram as delícias de andarmos rápido e com grande segurança. Passámos por cada vez mais peregrinos. São centenas que cruzamos no caminho.
Temos quase concluído 1/3 do caminho. Para quem não sabe, o trilho é composto de 3 fases:
- O Caminho da Purificação (que vai até Burgos)
- O Caminho da Morte (que vai até Artoga)
- O Caminho da Vida (que vai até Santiago)

O Caminho da Purificação está por isso quase concluído.

Era para termos chegado a Burgos, mas infelizmente um pneu furado e um raio partido, assim como o calor, não permitiram que lá chegassemos. Ficamos em Belorado e estamos num albergue com piscina. Vai ser difícil sair daqui com este calor :)

Têm sido uma viagem dura, não o podemos negar, mas têm sido apesar de tudo uma viagem fantástica onde podemos apreciar a beleza das coisas mais elementares da vida. A alegria dos peregrinos, a partilha do espaço, a natureza transposta pelo homem, o verde dos campos, o azul do céu, a luz do sol, a transparência da água, a arquitectura dos monumentos, e claro... o caminho. Aquele que nunca mais acaba. E que não queremos que acabe sem primeiro desfrutarmos dele.

"Não sonhes a tua vida, vive o teu sonho."

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dia 2 - Ponte de la Reina

Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 66,3 km

Tempo: 13:09:41

Velocidade média: 5 km/h

Queremos primeiro agradecer as mensagens de apoio. É sempre muito agradável saber que temos o vosso apoio. Obrigado.

Já temos algumas fotos que podem ver em cada dia, bastando clickar nos vários links de cada mensagem.
Hoje foi um dia muito difícil. Estamos ainda em aprendizagem. Percorremos muitos km's em intenso calor. Percorrremos imensos km's com centenas de peregrinos pelo caminho. Depois de termos acordado bem cedo pelas 6:00 partimos e foi uma viagem de cerca de 13 horas, em sitios com extrema dificuldade. Recomendo vivamente a quem não tenha prática em trilhos técnicos a preparar bem esta viagem. Fazê-lo pelo caminho é muitas vezes dificíl e requer muita pericía.
Apesar de não termos subido muito alto, o caminho desta etapa foi realizado num autêntico sobe e desce. Esperamos amanhã ter um dia mais fácil. Contudo, estamos no destino previsto, o que não é mau. Podia ser pior. Bem, as dores acumulam-se, mas pode ser que passem. :)
As saudades é que vão crescendo. Estamos com muitas saudades dos nossos, no entanto, a troca de mensagens e de telefonemas é por vezes um importante apoio.
'Buen Camiño Peregrino'

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dia 1 - Roncesvalles


Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 63,3 km

Tempo: 10:18:50

Velocidade média: 6 km/h


Este caminho mostra de facto a plenitude que para todos significa. É um caminho que se faz caminhando. No nosso caso de bicicleta. Temos encontrado imensos peregrinos que por umas razões ou por outras percorrem esta via. Uma via para uma peregrinação que se faz pessoal a cada um de nós. Temos encontrado gente de todo o mundo, desde o Canadá à Korea, passando pelo Chile.

Hoje foi dia de grandes descidas, imensas, de grandes single tracks maravilhosos que puderam fazer a nossa adrenalida subir ao máximo. Sempre com a maior das cautelas, não vamos querer prejudicar o resto do caminho. Paragem em Arrebia para uma reparação rápida numa loja de bicicletas e lá vamos caminhando. Foi dia de grande calor. O protector solar é recomendado. Perdi o meu sao cama e a minha toalha, dificuldades que o caminho nos apresenta para podermos reflectir no quão importante são esses objectos.

Chegamos a Ponte de la Reina, uma vila bonita, pequena mas simpática.

Importantes peças na bicicleta são o descanço (dá imenso jeito), bons travões, bons suportes de alforges, e bons pneus, de trail de preferência. Foram muitas a pedras que tivemos de subir e descer durante esta parte do percurso.

As saudades começam a existir de uma forma intensa. Mas sabemos que tudo está bem e por isso gardamos o momento do reencontro para o regresso nque poderá ser mais cedo do que esperariamos.

Por último, começamos a perceber a mística do caminho. é um caminho de reenconto. Com a vida, com a alegria de podermos saborear o mais básico da nossa existência. É simplemente fantástico.

Para as nossas famílias, um grande beijinho. Vamos regressar em breve.

p.s. ainda não podemos fazer o upload das fotos, fica para a próxima

p.s.2 um muito obrigado à dona do netbook, dá imenso jeito ;)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia 0 - Saint Jean Pied de Port


Podem ver mais imagens deste dia aqui.

Distância: 22,7 km

Tempo: 9:51:50

Velocidade média: 2 km/h



Chegamos a Hendaye na hora prevista. No entanto, devido ao facto do TGV não permitir levar as bikes, fomos 'obrigados', para não perdermos muito tempo, a apanhar um taxi para Saint Jean Pied de Port. Isso deu-nos mais um dia. Como a vontade de partir era muita, decidimos fazer desde logo a viagem até RoncesValles. Foi a melhor opção.

Primeiro, porque foi necessário afinar as bikes. O comportamento das mesmas deve ser testado exaustivamente de forma a potenciar uma condução segura. Por exemplo, a distribuição de carga é muito importante.

Segundo, porque realizamos a parte mais dificil para o percurso do primeiro dia, que é tão somente a subida dos Pirinéus. Esta fez-se com muito esforço, especialmente porque fazia muito vento e frio. Subimos com muito esforço aos 1400 metros de altitude. Foram apenas 30 km, mas muito duros.

Na descida contamos também com vários problemas técnicos numa das bikes, que com a ajuda de muitos arames lá se conseguiram ultrapassar. Teremos no entanto de parar em Pamplona de forma a visitar uma oficina para resolver o arranjo (definitivamente?).

Fica prometido para a próxima algumas fotos, e informações desta etapa. O jantar foi delicioso (qualquer coisa seria) e pudemos confratenizar com muitos dos peregrinos que fazem a viagem a pé vindos de todos os pontos do globo (Chile, Autrália, Hungria, Inglaterra, etc...).

Amanhã espera-nos um outro dia.

terça-feira, 9 de junho de 2009

No comboio para Saint Jean Pied du Port


Apanhamos o comboio na hora prevista. Tivemos a nossa família que nos acompanhou. Foi extraódinário. Sentir que partir é levar connosco a vontade de voltar o mais rápido possível. Mais importante é sentir o apoio que nos deram. É sempre um misto de vários sentimentos, mas também uma oportunidade que se faz única de fazermos esta viagem. Agora, no comboio, resta-nos apreciar a paisagem e deixar que a carruagem nos leve ao destino da partida, Saint Jean Pied du Port.
Hoje antes da partida, ainda deu tempo para comprar uma cobertura contra a chuva para proteger os alforges. É sempre melhor prevenir no caso de termos fortes chuvadas.
O revisor do comboio foi simpático e reservou-nos um compartimento para levarmos as bicicletas. Uma está acondicionada num saco, a outra (a minha) foi na caixa que o Marco me conseguiu disponibilizar. Digamos que podia estar melhor acondicionada (as rodas estão ligeiramente de fora da caixa), mas para o efeito que é serve perfeitamente. Vamos jantar no comboio e depois dormir até chegarmos ao destino.